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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ao Mundo dos sonhos - capítulo 3

Desencontro
1
Juliano sentiu seu corpo leve como uma folha enquanto atravessava o feixe. Manteve seus olhos fechados por que a luz era muito forte, e quando tornou a abri-los estava em pé, cercado de uma série de casas azuis e detalhes brancos, todas iguais. Não se lembrava em que momento começara a sentir o chão sob seus pés, mas não deu importância a isso. Olhou para os lados na tentativa de encontrar os outros passageiros daquela tão estranha viagem, mas a única coisa notável era que em algum ponto da cidade, despontava uma grande torre com um relógio.
O relógio marcava três e quatro da tarde.
Pessoas caminhavam normalmente pela rua, o ignorando. De repente sentiu uma forte necessidade de encontrar Suzana, então entrou na primeira casa à sua esquerda, que estava com a porta aberta para pedir informações.

2
Suzana levou praticamente um golpe quando foi transportada. Tudo aconteceu em um piscar de olhos e ela sentiria náuseas por um bom tempo (talvez não por esse motivo). Quando deu por si, estava sentada em um sofá de uma pequena casa, que tinha abertas as janelas e a porta. Antes de voltar a plenitude de sua consciência, preocupou-se com o que tinha acontecido com Juliano. Levantou-se do sofá em direção a saída da casa. Quando saiu percebeu que todas as casas eram iguais: azuis com detalhes brancos. Longe naquela estranha cidade, se via uma torre com um grande relógio.
O relógio marcava três e dezenove da tarde.
Não havia absolutamente ninguem na rua, mas Suzana notou que não havia nem portas nem janelas em nenhuma das casas. Então ela decidiu caminhar em direção ao relógio.

3
Juliano encontrou uma senhora sentada em um sofá, costurando algo que transitava entre um casaco e um lençol de lã.
- A senhora pode me dizer onde estou? - perguntou
- Claro, querido. Você está no paraíso. - E começou a rir de uma maneira alta e muito estranha. Juliano achou que ela era louca e saiu. A medida que passava na frente das casas, percebia que todas eram habitadas por senhoras diferentes, mas costurando a mesma coisa e com a mesma postura. Não se preocupou em perguntar as outras onde estava.
- Suzana iria em direção aquele relógio, com toda a certeza. - E se dirigiu pra lá.

4
Suzana caminhou durante alguns segundos, a passos rápidos. Mas parecia que ela não saía do mesmo ponto. O conjunto de casas azuis continuava a aparecer, e a torre com o relógio nem parecia estar mais próxima do que antes. Nesse raciocínio, se perdeu em pensamentos e não viu a pedra no meio do caminho. Tropeçou e foi ao chão escandalosamente. Bateu sua delicada face e cortou a maçã do rosto, não obstante ignorou a leve dor e o sangue que escorria. Quando levantou a cabeça, levou um susto. Pessoas apareceram caminhando, como se brotassem instantaneamente ali. Dentro das casas azuis, velhas costuravam ponchos, mas todas estavam no mesmo ponto. Assustada, começou a caminhar mais rapidamente em direção ao relógio.

5
Enquanto Juliano caminhava, as pessoas que caminhavam continuaram a ignorá-lo, mesmo quando ele pedia informações. Em um certo momento, todas começaram a correr desesperadamente. Rapaz calmo e seguro de si mesmo, permaneceu parado observando as pessoas entrarem nas casas e se esconderem atrás dos armários e debaixo das camas. Uma garota tropeçou e começou a chorar de medo, aparentemente, então ele foi a ela. Ela o agarrou e trouxe para dentro do porão de sua casa:
- O que está acontecendo? Por que todos correm?
- O rei decretou uma lei que declara que durante os minutos ímpares, não deve haver ninguem na rua, e durante os minutos pares, não deve haver ninguem nas casas, exceto as costureiras.
- Que absurdo é esse? Quem é esse rei? E o que acontece com quem desobedece?
- Como você não conhece o rei? Ele mora na torre do relógio. Ele mesmo construiu quando chegou nessas terras, há milhares de anos atrás, então ele tem o direito de fazer as leis que quiser. Ninguem gosta disso, mas temos que obedecer, senão seremos mortos.

continua...

Um comentário:

  1. U...u mano gostei do texto bem escrito sei la um jeito proprio de escrever raridade! parabenss

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