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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Universo de um instante - capítulo 7

Feixes Temporais
1

Pense em uma reta.
Uma reta que começa em algum ponto e a frente tende ao infinito.
Essa reta é o tempo
Agora imagine duas outras, uma superior e uma inferior à reta do tempo, todas paralelas. Essas retas representam a sequência de fatos que rege a existência. Elas indicam o que é, e o que não é. Você já vai entender.
A linha do tempo não é necessariamente constante em sua altura, de fato ela é extremamente vulnerável: com uma leve brisa ou um simples tremor de pensamento, ela balança como uma corda vibrante de violão ou uma mão nervosa que treme.
Cada destino, cada palavra, cada decisão modificam a frequência na qual essa reta ondula. Mas essas ondulações nunca ultrapassam as retas superior e inferior. Elas são o limite no qual a reta do tempo nunca encosta. Para cada ação que faça com que ela ondule para cima, existe uma reação que a faça voltar ao seu eixo. Se fosse possível observar todos os seres e lugares, em um determinado intervalo de tempo, perceberíamos que todas as decisões se equilibram. O que você faz hoje, alguem faz contrário em algum "quando" e algum "onde".
A essas retas e suas funções em nossa existência, denominamos Feixes Temporais, ou simplesmente Ka.

2

Em uma noite barulhenta de junho, mais especificamente nos arredores de um bar de Porto Alegre, um par de sinos badalava clamando por atenção, enquanto um rapaz tímido conversava com uma linda garota, uma menina nervosa bebia calmamente um copo d'agua e um homem fitava enquanto sua amada se concentrava na tentativa de reanimar um mendigo.
Alice relaxou, e queria sair para ver seu pai quando Carolina a impediu. Ela não queria que a menina visse o pai em estado de choque e, possivelmente, morto.
- Espere um pouco Alice - a menina se debateu levemente, mas acabou se rendendo ao entender o motivo pelo qual a moça a deteve.
- Tudo bem - disse ela - Eu vou me sentar um pouco - e se dirigiu a uma mesa longe dos sinos.
Renato ainda encontrava-se embasbacado com Carolina. Queria falar com ela, mas não conseguia reunir coragem para isso. Resumiu-se em ver o tumulto que havia fora do bar.

3

Suzana pressionava avidamente o peito do homem deitado no chão, até um certo momento em que ela já não tinha mais nada a fazer. Sentou do seu lado e começou a chorar. Um choro de decepção que todos os que iniciam a profissão de salvar vidas encontram quando perdem um paciente pela primeira vez. O coração no interior daquele homem não batia mais, e não havia nenhum sinal da ambulância. As poucas pessoas que observavam a massagem cardíaca passaram a transmitir sentimentos de consolo a ela, mas ela estava inatingível. Algumas estavam chorando tambem e, em pouco tempo, elas foram se retirando do cenário e de nossa história.
Juliano se aproximou e a abraçou. Vê-lo não diminuiu a tristeza que sentia, mas Suzana se sentiu um pouco melhor por que agora tinha alguem do lado dela. Fechou os olhos e o apertou com força (Por Deus, este tinha sido o pior dia da vida dela e ainda nem acabou). Quando Renato se aproximou e perguntou o que houve, Juliano pediu para que pegasse um calmante, enquanto tentaria consolar a moça e convence-la a entrar no bar e descançar um pouco. No fim da rua, ouvia-se o som crescente da ambulância.

Mas agora era tarde demais.
Era?

texto de Robson "Meteoro" Rodrigues/ CONTINUA...

8 comentários:

  1. o começo me lembrou um pouco algumas teorias propostas na série fringe em sua primeira temporada.

    gostei.

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  2. Esse autor é muito bom, esta de parabéns. Pequenos conyos de leitura facil, e instigante

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  3. olha, o primeiro textinho me confundiu toda, rs

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  4. Tô seguindo...
    Legal..

    Abçs
    t+
    www.ciadosbotecos.blogspot.com

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  5. Adorei seu blog, muito bom mesmo, gostei muito, parabéns, continua assim, vou ate segui seu blog, quando de da uma olhada no meu ta!
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    um abraço parceiro!

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  7. Boa historia espero a continuação

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