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terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Universo de um instante - capítulo 10

Passagem
1

- Primeiro eu vou me apresentar. Meu nome é John Whye.
O grupo que atentamente o fitava apresentou caras de dúvidas em relação ao seu sobrenome. Um indagou "Uí?", outro "Ouí, por acaso tu é francês?", teve até um "UAI".
- ....Bem, para evitar conflitos, me chamem de Flanela.
- Flanela? Mas que diabos! - Respondeu Juliano, estava com pressa e queria explicações instantâneas. No entanto, aquele homem transmitia um sentimento de calma a todos, mesmo acerca da urgência da situação.
- Sim. Primeiramente eu preciso que vocês saibam e entendam o que eu sou, e como eu vim parar aqui. Eu sou um Vago e cheguei nesta cidade através de uma Ferida de Feixe.
- Baboseira! - disse Juliano
- Você por acaso tem alguma explicação para tudo isso?
- Tenho. Eu acho que tu és um homem cego e louco, que está caçoando de um homem que morreu, de uma garota desmaiada e da minha inteligência.
- Tolo - esbravejou o homem de preto - Se queres mesmo uma prova, então a receberá. Pode me dizer, se és tão dono da razão, por que o som daquilo que vocês chamam ambulância tem a mesma intensidade há muito tempo? Como se ela não saísse do mesmo lugar? E por que o ruído das pessoas na rua não se ouve mais?

Juliano encarou John "Flanela" Whye, em seguida se concentrou no que estava escutando. De fato, tudo o que podia ouvir era o som circular da ambulância, a uma distância estática, e os sinos que, de maneira estranha, ainda soavam em uma frequência baixa.
- Ela pode muito bem ter ficado no trânsito - O Garçom argumentou
- Vá la ver por si mesmo então meu rapaz.

2

Juliano saiu do bar, seguido por Alice, Renato e Suzana. Todos ficaram extremamente surpreso ao ver que tudo na rua estava imóvel. Uma mulher alta se encontrava congelada mesmo em seu passo distante, a luz do semáforo durante muitos minutos não saiu do sinal amarelo, e até um passáro que voava livre em direção ao seu lar estava imóvel no ar, como em uma fotografia. A ambulância estava a vista, levemente inclinada ao fazer uma curva em alta velocidade. Curiosamente, sobre ela a sirene e as luzes ainda estavam acesas, e tirando o nosso grupo em questão, eram as únicas coisas com movimento na rua.
- O que voce fez? - Perguntou Suzana
- De onde eu venho - respondeu Flanela sorrindo - Aprendemos muitas coisas, e uma delas é como sempre provar que estamos certos. Agora vamos entrar, pois temos um assunto importante para confabular.

3

Os cinco tornaram a entrar no bar, e então Whye explicou a eles sobre os VAGOS, os Feixes Temporais e as Feridas. Explicou também, que Antônio tinha, de alguma forma deslocado-se para o seu mundo através de um feixe, por isso tinha perdido toda a vida nesse mundo, mas não no outro. À Carolina aplicava-se o mesmo caso, ela tambem atravessou para o mesmo mundo que, segundo Whye, era paralelo com o deles. A diferença é que ele não sabia como ela tinha ido para la, já que ela não atravessou nenhum feixe, (podia ver o rastro dos feridas, e há muito tempo uma não aparecia dentro do bar).

- A grande questão é a seguinte: vocês podem busca-los, mas terão de atravessar tambem. Em um outro momento explicarei como funciona, mas agora vamos testar direto na prática. Quem vai?
Ninguem se acusou, até que Alice reuniu sua coragem, e um pouco de ingenuidade infantil.
- Eu vou. Prometi para mim mesma que tornaria a ver meu pai vivo hoje!
- Então eu tambem vou, já que alguem deve resgatar Carolina.
Juliano fitou sério a decisão absurda dos dois. De maneira nenhuma iria. Tinha uma vida e um filho para cuidar e não sabia se isso tudo não era magia negra ou alguma bruxaria. Convenceu-se de que maneira alguma iria. Suzana pegou sua mão e se aproximou do homem de preto:
- Nós vamos tambem. Afinal, não podemos deixar esses dois irem sozinhos. Olhou para seu amado com uma expressão que não pôde ser rejeitada.
- Tudo bem então. Preparem-se, e tentem ficar de olhos fechados até que encontrem algo sólido. Não garanto que todos vamos para o mesmo lugar, e sei que vão me procurar e punir por isso, pois não posso atravessar em conjunto, mas não posso evitar de procurar fazer o bem, e há muito tempo procuro um motivo para voltar à minha terra natal. Sua busca não será fácil, e eu espero que todos vocês perseverem e encontrem o que procuram. Boa sorte.

Um clarão iluminou o recinto, e de repende todos sentiram ânsia de vômito misturada com grande excitação, enquanto eram levantados por alguma gravidade inexistente nos planos que compõem o centro entre dois mundos paralelos.

Dessa maneira, ao mundo dos sonhos todos partiram

FIM DA PRIMEIRA PARTE



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