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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O mestre -Capítulo 2 e 3.

Capítulo 2.

Três dias antes.



Pedro acorda, vai ao banheiro, faz a barba, se olha no espelho, se achava bonito, se fosse rico faria sucesso achava. Foi para o trabalho.
-Já sabe Pedro?
-O quê?
-O chefe já disse que vai haver cortes no quadro de funcionário.
Ele detestava o chefe, ele estageia dois anos e ainda não foi efetivado pela empresa, era um gênio da computação, o chefe era grosso, sala perto do banheiro masculino só para humilhar, ganhava bem menos que um estagiário na área. Esforçou-se tanto para passar numa universidade pública para ainda continuar na mais perfeita miséria.
-Aqui os relatórios sobre as máquinas senhor Raul Vascentini Dergrinolle.
-Não quero ver nada agora rapaz, saia da minha sala, me poupe da sua presença. É surdo? Saia! Eu quero ficar sozinho e ainda tenho certeza que devem estar errado esse relatório.
Pedro se retira.
-Só contrato idiotas.
No final da tarde Pedro soube que estava entre as pessoas que seriam cortadas do quadro de funcionários da empresa.


Capítulo 3.


Pedro olha o computador, pensa, vai à janela, passa a mão na cabeça. Liga o computador e cria um e-mail do site do banco do ex-chefe e envia para o e-mail do mesmo com um link da página que ele criou falsa do banco.
No dia seguinte abriu o e-mail e lá estava dados do senhor Dergrinolle, inclusive a senha.Entra no site do banco e digita a senha. Aparecem barras verticais, em que vão subindo blocos verdes, ele consegue entrar e sorrir, nem acreditou que conseguiu.
Ele digita a quantia de 100 mil reais e com o mouse aperta o botão de notas de 1000, 500 e 100 e clica enter. Logo depois aparece a mensagem: "transferência realizada com sucesso!".
-Você é um gênio Pedro.
Ele vai ao banco.
-Vim fazer um saque no nome do senhor Raul Vascentini Dergrinolle.
-De quanto?
-100 mil.
-Sim. Assine aqui.
Ele assina, ver uma câmera e sorrir para a atendente, ela se retira.
Pedro senta-se.
A moça volta e coloca uma algema em uma de suas mãos e na mala.
-Volte sempre.
-Obrigado.

A mulher do desembargador -Capítulo 2.

Na manhã seguinte eu e o meu tio abrimos a barbearia.
-Quando sabemos que estamos apaixonados tio?
-Francamente não sei.
-Pedro vem jogar bola com a gente. –Era Felipe.
-Eu não posso.
-Vá.
-Mas minha família precisa do dinheiro.
-Eu pago, não se preocupe, vá se divertir.
-Então vamos.
E quando eu sair vi o guarda Ventura entrar na casa do desembargador.
-Vamos lá na casa de Sirlene. – Felipe.
-Mas dizem que ela é uma prostituta.
-Juntamos um dinheiro.
Chegamos lá e subimos uma escada e batemos na porta e Sirlene atendeu vestida com um roupão. Ela era branca, bem pálida, de cabelos loiros cacheados e olhos castanhos.
-O que vocês querem?
-É que...
-Desembucha! Não tenho tempo a perder.
-Entrega logo o dinheiro. – Fala Cláudio.
Felipe entregou o dinheiro.
-Só pode um e por meia hora. Quem vem?
-Eu como chefe do grupo... - Fala Felipe.
-Ah não! Isso não é justo. –Fala Cláudio.
-Já sei, vai aquele que é ainda virgem do grupo, Pedro. – Fala Renato
-Eu não vou, vão um de vocês.
-Então vamos tirar na sorte em Pedra, papel e tesoura. – fala Felipe.
-Pedra, papel, tesoura. – Todos os três.
-Tesoura corta papel. – fala Cláudio.
-Pedra quebra tesoura, ganhei. – Comemora Renato.
-É justo. – fala Felipe.
-Entre. – Fala Sirlene, e Renato entra.
Voltei para casa, entrei no meu quarto e folheei o Cortiço e deixei o livro na cama, peguei o binóculo e a esposa do desembargador estava no banheiro, mas acompanhada pelo guarda Ventura, estavam transando. Ela com as pernas presas na cintura dele e ele beijando os seios dela.
A língua dela lambia a orelha dele, tive vontade de matá-lo, quando a mão dele subiu pela coxa dela, as unhas dela encravada nas costas dele, via no rosto dela como ela estava feliz com o ato.
Tive nojo de ver aquilo, me perguntava por que ela fazia aquilo, se demontrava ser dedicada, submissa e atenciosa ao marido.
-Meu pai chegou bêbado. – Era a minha irmã Bárbara.
-Por causa de você o nosso filho está sustentando a casa, por causa de um pai alcoólatra e desempregado.
-Cala a boca!
-Ai!
Desci correndo depois de escutar isso lá do meu quarto.
-Não bata na minha mãe covarde! Bata em um homem!
-Sai da minha frente moleque. – me puxando.
-Eu não sou moleque.Você que é, por esconder o seu fracasso de pai na bebida. – recebi um tapa.
-É com isso que você se sente homem?
-Me respeita!
-Bata! Bata! – chorando – Não é assim que você se sente homem, me bata!
Meu pai subiu, olhou para a minha irmã, e foi para o seu quarto.
-Filho! –minha mãe começou a chorar.
-Está bem mãe? –e nos abraçamos.
Amanheceu era domingo, minha família, menos o meu pai, foi toda para a igreja, como era de costume na época. Eu era também coroinha na igreja, gostava dos sermões do Padre Eurico Serjela, apesar de eu achá-lo com cara daqueles grandes assassinos de filmes de Hollywood, dos poucos que via.
-Senhor, vós me perscrutais e me conheceis.
Sabes tudo de mim, quando me sento ou me levanto,
De longes penetrais meus pensamentos
Quando ando e quando repouso, vós me vedes,
Observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda.
Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão
Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo – Ela e o seu marido, o desembargador entram na igreja, ela estava linda, não notei o vestido dela, que para mim ela estava nua, eu e ela nos amando no chão da igreja sendo observados por Jesus na cruz.
-Pedro.
-Desculpa Padre: Para onde irei, longe de vosso Espírito?
Para onde fugir, apartado de vosso olhar?
Se subir até os céus, ali estareis;
Se descer à região dos mortos, lá vos encontrarei também. –Os seios dela, o sorriso, as coxas, me tormentavam, eu estava suando muito, e já sentia a minha ereção. –Se tomar as asas da aurora, se me fixar nos confins do mar.
É ainda vossa mão que lá me levará,
E vossa destra que me sustentará. –Foi assim que acabei de ler o Salmo 138.
Depois veio o sermão do Padre:
-Fiéis, não devemos mexer com as coisas de Deus, deixemos elas como estão, este céu, mar, terra, animais, são coisas de Deus...
Depois da igreja, me juntei com os meus amigos.
-Que manchas são essas em suas pernas Renato? –Perguntei.
-Nada.
-Vamos furtar manga na casa do desembargador. –fala Felipe.
-Mas somos coroinhas. –Fala Cláudio.
Entramos na casa, pulando o muro, na varanda da casa tinha várias árvores frutíferas ao redor da casa toda pintada de branco, cheia de cômodos. Subimos na mangueira e começamos a tirar a camisa para enrolar as mangas.
-Ladrões!Saiam da minha varanda, largue as minhas mangas. –Era ela, com a vassoura na mão.
Não tive tempo para admirar a beleza dela, pulei o muro junto com os outros, deixando algumas mangas caídas pelo caminho com a correria.
Voltei para casa, lá estava minha mãe conversando com D. Justina, uma senhora gorda, velha, com dois grandes sinais, um na bochecha, outro na testa. Ela era costureira, viúva, a coitada perdeu seu marido ainda jovem, ele morreu de varíola, ele era farmacêutico, que ironia.
Ela sempre fala dele, para ela, ele era um santo, filho de portugueses, ela dizia que sentia falta do fogo lusitano dele, acho que por isso ela agora só faz buxixo, fofoca, ti-ti-ti, falando mal de todo mundo.
Comecei a descascar as mangas para fazer o suco e a escutar a conversa delas.
-Estou precisando de uns vestidos, estes estão apertados, tenho impressão de estar gorda. –Fala minha mãe.
-Está mesmo, olhe que podem dizer que você está de barriga! Do jeito que existe maldade nessas pessoas, todo mundo um dia pode estar na boca do povo. Não sabemos o que pode passar na cabeça dos outros.
-Deus me livre estar prenha, eu já criei os meus filhos.
-Nem filhos eu e o santo do meu falecido marido chegamos a ter, Deus o levou tão cedo!
-Fiz um bolinho para a senhora.
-Não precisava se incomodar minha querida. E o seu marido já arranjou emprego?
-Que! Ainda continua bebendo, eu morro de vergonha.
-Descobrir... Chegue mais perto, que Dona Conceição abandonou o marido.
-Meu Deus! Estou pasma!
-É como estão as coisas, não sei aonde vamos parar.
-D. Justina a senhora sabe o nome do casal que chegou esta semana? Só sei que ele é desembargador!
-Ela se chama Marisa e ele Alberto Messa.
Agora já sabia o nome desta linda mulher.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Palavras cruzadas

"Grosseiro; desmarcado (fig.)", com 6 letras... Putz, é a última palavra. A 2ª letra é "R", a 3ª "A" e a 4ª, "S".
_ R A S _ _.
Não sei... Não faço ideia.
Vou olhar na resposta. NÃO! Não pode.
Assim não tem graça. Vou pensar mais um pouco.
Mas qual é o problema? Não posso deixar a cruzada incompleta.
Mas não posso olhar a resposta. Nunca olhei.
Vou deixar pra depois. Isso, outra hora eu continuo...
Mas saber que a página ficará assim, faltante, inacabada, me incomoda profundamente.
E se eu a esqueço?! E se resolvo passar para a próxima, termino a revista achando que concluí todos os desafios?
E se jogo a revista de palavras cruzadas fora? Com uma palavra faltando?!
Não! Não posso. Não consigo. Deixa eu pensar. Vou encontrar a resposta.
_ R A S _ _.
Aff... que droga! E se eu olhar no dicionário?
Também não pode. É colar do mesmo jeito.
Isso nunca aconteceu comigo antes. O que está errado?
Não estou mais conseguindo lidar com esta pressão. Não suporto mais. Vou ver a resposta.
Ninguém vai ficar sabendo.
Na verdade, EU vou ficar sabendo. E não vou me perdoar por isso.
Ter roubado nas palavras cruzadas me atormentará por dias, por meses. Por toda minha vida!
O que meus amigos dirão? Minha família? O que direi para meus filhos?
Estou decidido. Nunca imaginei que este momento chegaria... (respiro fundo)
Aos poucos vou abrindo a página, os olhos cerrados, como que evitando visualizar as letras, procuram o local exato da resposta.
C R A S S O.
Pronto. Consegui.
Ufa... Que alívio!
Um peso tirado das costas.
Que sentimento de liberdade! Que felicidade!
Eu sei que errei, mas não me arrependo. Poder contemplar a página de palavras cruzadas finalizada me absolve de qualquer crime.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Desmont


1
Alguma esquina, algum dia, alguma cidade.
Um garoto, uma porta, uma esperança:
Desmont era um garoto tranquilo, inteligente e, acima de tudo, esforçado. Corria atrás do que queria e não descansava até que conseguisse. Era imaginativo, criativo, espontâneo; procurava fazer algo novo todos os dias. Mas tinha muita dificuldade. Grande parte por causa de seu distúrbio: sofria de síndrome de down.
Na escola, era destaque. Seu senso de humor conquistava colegas e professores. De toda a turma, era o mais maduro. Sua mãe era costureira e não conseguia pagar as contas, então ele trabalhava como entregador de jornal. Acordava as 4:30 todos os dias, pegava os jornais na central, entregava nas sonolentas portas fechadas das casas, enfrentando chuvas, frios e ventos.
Mas Desmont tinha um grande sonho: Queria ser escritor.
Na escola acessava a internet e, com medo que alguém descobrisse e roubasse suas histórias, utilizou um pseudônimo para colocar seus poemas e novelas em um site. Suas histórias ganharam uma certa repercussão e criticas positivas. Ele se sentia tão feliz e entusiasmado. Acordava cedo, trabalhava e ia direto para a escola. Voltava, cozinhava para sua mãe e voltava a pé para a escola para escrever na internet.
Um homem fizera contato com ele, dizendo que gostou muito das histórias (que eram realmente, dignas de grandes nomes da literatura) e queria publica-las em sua editora, bastava que ele fosse até sua casa e levasse os textos impressos com as devidas correções ortográficas.
Desmont viveu, então, o dia mais feliz de sua vida. Sabia que as coisas iam dar certas como recompensa pelo seus esforços. Já se imaginava como um escritor famoso, recebendo prêmios, entrevistas, documentários: quem diria, um "deficiente" escrevendo. Pontualmente, como sempre, foi até a casa do dono da editora.
Alguma esquina, algum dia, alguma cidade.
Um garoto, uma porta, uma esperança:
- Bom dia, meu nome é Des.... - A porta fechou-se.

2
Uma semana depois, um livro foi lançado na editora local. Desmont entrou em depressão quando viu na banca um livro de uma história do mesmo nome que a sua... que possuía os mesmos personagens....cenários.... deixara o livro cair quando percebeu que tinham pego sua história. Estranhamente, o autor tinha o mesmo sobrenome do dono da editora. A história foi premiada e permitiu que o suposto autor de "O Reflexo Destrutivo" fizesse carreira em um país europeu.


Desmont desapareceu na semana seguinte.






É estranho quando as coisas não acontecem como esperamos
e a única coisa que podemos fazer é conviver com isso.










ou não



fim do capítulo 7, ao mundo dos sonhos continua...


O mestre -Capítulo 1.

18 anos atrás.


Um rapaz de cabelos castanhos, franzino, branco, alto e de óculos e barba, se encontra num hospital, ver as pessoas sentadas em macas no corredor e outras no chão suplicando por ajuda, pessoas chorando, pessoas indignadas com situação vivente, pessoas indiferentes ao outro.
Ele desejou nunca precisar de um hospital público, quantos morrem sem ser socorridos.Chega um paciente com ferimento a bala e sai mais um óbito embalado num plástico.
Era uma imagem que não dá para tirar da cabeça, um caleidoscópio de vidas.Quantos morrerão para se dar um jeito na saúde pública? Felizes os que tem saúde de ferro.
-Ana Tornório se encontra?
-Não. - a recepcionista fala lixando as unhas.
-Amor.
Aparece uma linda mulher branca, alta, de cabelos castanhos encaracolados até os ombros.
-Obrigada Elisa.
Se beijam.
-Vamos a um lugar reservado.
-A lanchonete.
Se dirigem a lanchonete
-Fala o que você veio fazer aqui.
-Sabe a viagem a Trancoso...
-Sim.
-Não vai dá, é muito caro, não vamos passar a lua- de - mel em Trancoso.
-Está bem.
-Jura que não vai ficar sentida em não poder ir a Trancoso?
-Juro. Mas não entendo, você estava economizando dinheiro para a viagem.
-Eu fui demitido..., o sacana do meu chefe me demitiu, eu ganhava uma mixaria naquela droga, contensão de despesas, eles cada vez mais ricos e nós cada vez mais pobres. O dinheiro que economizei é para pagar o aluguel da nossa casa, já que não sei quando vou encontrar emprego.
-Ta, mas eu sou enfermeira e não ganho tão mal assim, eu posso ajudar.
-Não, eu pago o vestido e a aliança, eu faço questão.
-Que machismo idiota Pedro.
-Será que eu não posso querer pagar o vestido da minha futura esposa?
-Ta, está bem. E a sua roupa?
-O meu irmão vai emprestar o terno dele.
-O seu irmão já foi casado?
-Já, mas a história é complicada, ela o traiu.
-Ah! Vamos pra minha casa, tô com saudade. - ela alisa o rosto dele.
-Adoraria ir, mas tenho que sacar a aposentadoria da minha mãe.
Ele saiu e pegou um ônibus, ele detestava ônibus, pois sempre o encontrava cheio e todos achavam que por ele ser magro não ocupava espaço e o apertava , isso quando não vinha uma gorda passava entre os passageiros dizendo a maldita frase:" Lincencinha, desculpa."
E quando encontrava banco vazio ele tinha que oferecer o banco para um idoso, gestante ou uma criança. Por isso ele decidiu ficar em pé mesmo que o ônibus estivesse vazio.
Ele ver pela janela o irmão como homem sanduíche. Que porcaria de vida, ele odiava a vida pobre que ele tinha, ainda desempregado.
Ele não acreditava que na Suíça as pessoas se suicidavam por ter tudo e não ter por batalhar por nada. Ele gostaria de nascer na Suíça, com certeza essas pessoas se arrependeriam do que fizeram se nascessem no Brasil.
Ele saltou e começou a chover, ele foi ao caixa e a fila estava enorme, ele detestava filas.
Pegou o dinheiro e foi assaltado, levaram o dinheiro todo, ele agora participava das estatísticas de Salvador. Como ele vai chegar em casa e dizer a mãe que perdeu tudo, era o que ele pensava agora.
Ele ao chegar em casa encontra o irmão dormindo na mesa ao lado de uma pilha de livros, o coitado se esforçava tanto para ter um curso superior.
Ele vai no quarto da mãe e a encontra caída no chão.
-Mãe! -chorando -Paulo, socorro!
Ele voltou ao hospital e reviu aquilo tudo que ele desejou esquecer, para ele esse dia tinha sido o pior dia da sua vida. Ele ver o irmão dormindo no banco, ninguém aparecia para dá uma notícia e a mãe sentada num banco com um anabolizado.
Depois de três horas ele foi falar com o médico.
-Minha mãe vai morrer doutor?
-Ela está na UTI, ela fumou por muitos anos, o pulmão está comprometido, farei tudo que for possível.
-Posso vê-la?
-Não, só amanhã.
-Salve minha mãe doutor.
Ele desejou que fosse rico, porque se fosse rico sua mãe não estaria passando por isso, teria condições de dá uma saúde melhor para a mãe.
No dia seguinte ao chegar ao hospital é informado do falecimento da mãe.
Passa algumas semanas e ocorre o casamento de Ana e Pedro, uma celebração simples, de acordo com a condição social e econômica deles.

A mulher do desembargador.

A história que vou lhes contar se passou exatamente em 1956, tinha eu 15 anos de idade. Naquele ano exatamente tinha acabado de se mudar um senhor gordo, baixo, barbudo, com uma careca, com uma cabeça enorme, e os poucos cabelos que lhe sobravam eram brancos, e era desembargador! E sua esposa, uma senhora alta, de cabelos e olhos castanhos, de nariz arrebitado, de aparência jovem, bonita, aliás muito bonita, não parecia ser feliz, aparentava ser uma mulher submissa, dedicada, atenciosa ao marido, mas dava para ver em seus olhos que era mal amada, mal amada.
Estava andando de bicicleta quando a vi pela primeira vez, meu coração palpitou, tive a sensação de ter sido engolido pelo chão, não via mais ninguém, a não ser ela e a aberração do seu marido. Não ouvia o que meus amigos falavam, mas depois acordei, quando eles entraram na casa, seguido pela voz do meu amigo Felipe.
-Você não acha Pedro que ela tem um belo par de seios?
-Respeite, ela é uma senhora casada.
-Muito linda para estar casada com aquela coisa.
-Ela deve amar muito seu marido. – Falou Cláudio, outro amigo meu.
-É deve amar muito seu marido. –Falei desconsolado.
-Vamos para a República do Lar. –Fala Felipe para irmos até um orfanato.
-Eu não vou, tenho que voltar para casa.
-O que tem para você fazer lá? –Pergunta outro dos meus amigos, Renato.
-Tenho que ajudar o meu tio na barbearia.
-Então até, vamos. - E se vão depois de Felipe falar.
São Paulo esta cidade que abriga tantas pessoas, entre elas uma senhora que não é feliz, apesar de ser muito dedicada, submissa, atenciosa ao marido, ela não era feliz, isso martelou na minha cabeça até a minha chegada em casa.
-Boa tarde.
-Só sabe agora ficar na rua, parecendo que não tem família. –Era a minha mãe falando, jovem, mas aparentava ser velha, do que adianta ser jovem, se aparentava ser velha, jovem, porém velha na aparência.
-Desculpa, estava com uns amigos.
-Vai suba, tome um banho, que vou colocar a mesa.
O nome dela, Augusta, ela só tinha eu e minha irmã, Maria Bárbara, de apena 6 anos, eu tinha um pai, desempregado, Eduardo, que por causa da vergonha que ele sentia em não poder sustentar a família com o seu trabalho, afoga a humilhação no álcool.
É triste admitir que seu pai seja um alcoólatra.
Subi para o meu quarto, abrir a janela e peguei um binóculo, a casa do desembargador ficava de frente para a minha.
E comecei a observar, ela tirou o sapato dele e colocou os pés dele na bacia com água, depois ela se levantou e tirou o paletó dele, folgou a gravata e desabotôo a camisa dele e depois levou uma bandeja para ele, e ele bebeu o líquido que estava no copo, este depois se levantou e entrou em outro cômodo da casa. Ela subiu as escadas e foi para um quarto e começou a desabotoar a blusa, abaixa a saia, e tirou a parte de cima da roupa intima, e vi as costas dela, que eram lindas, ela foi até o guarda-roupa, e tirou um roupão, se vestiu, tirou as duas presilhas do cabelo e foi até a janela e fechou a cortina.
Tive inveja do desembargador, ele tinha uma bela mulher em sua cama todas as noites. Mas ela não tinha um belo homem em sua cama.
No final da tarde fui até a barbearia do meu tio Almir. Eu estava fazendo a barba de um guarda, o senhor Marcos Ventura, mas todos o chamavam de o guarda Ventura, era um senhor alto, de cabelos castanhos e tinha barba, claro, e um par de olhos azuis, estava conversando com um senhor de cabelos brancos.
-Viu a senhora que acabou de chegar, não é muito bela?- Pergunta o guarda Ventura.
-É casada com desembargador.
-Aquele homem gordo!
-Isso mesmo!
-Deixa pelo menos ela ver os meus olhos, vai ficar doidinha por mim. Ai tu arrancou a minha pele infeliz!
-Desculpa.
-Deixa que eu continuo Pedro. – Tio Almir.
-É nisso que dar deixar frangos fazerem serviços de homem.
Eu me retirei depois de ter ferido o guarda Ventura com a navalha. Depois o meu tio foi falar comigo.
-O que deu em você?
-Eu não percebi.
-Quase cortava o rosto do guarda Ventura.
-Não cortou?
-Não, felizmente.
-Que bom...
-Vai, aqui seu dinheiro.
-Tchau tio Almir.
Cheguei em casa.
-Aqui o dinheiro mãe.
-O seu pai até agora não colocou os pés dentro de casa, deve estar bebendo.
-Maria Bárbara já estar dormindo?
-Já, vai deitar filho.
Fui para o meu quarto, peguei o binóculo, o desembargador estava na cama, ocupando ela toda com a sua gordura. Ela apareceu com os cabelos soltos e com uma camisola branca, deitou-se ao lado dele e a luz foi apagada.
Me deitei, mas não dormir, o meu pai tinha chegado bêbado em casa e tinha batido na minha mãe. Eu me perguntei a noite toda porque ela não reagia, aceitava apanhar de papai.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A imponderabilidade do AGORA

O Agora é o único tempo que existe. O Agora é eterno.

Se nossa mente coloca-se no passado ou no futuro, nós nos desligamos da Consciência Divina e perdemos o contato com o Infinito.

Imagine um disco rodando. O centro dele está sempre no mesmo lugar, enquanto que qualquer outro ponto, movimenta-se. Se há movimento, há mudança; ou seja, esse ponto passa a ser relativo e não absoluto.

O único lugar absoluto no disco é o centro. O Universo é Absoluto, portanto para estarmos conectados com a Divindade, precisamos estar centrados. Mas o que é exatamente estar centrado ?

Estarmos centrados significa estarmos vivendo o Agora. Se estamos com as nossas mentes posicionadas no passado ou no futuro, ou seja, se estamos lembrando, relembrando e remoendo fatos passados ou se estamos ocupados e preocupados com o futuro, estamos fora do centro.

Estar centrado significa estar com a mente vazia e vivendo o momento atual. Assim, ao surgir qualquer situação a ser resolvida, a Consciência Divina poderá nos orientar pois estaremos abertos e conectados ao momentum do Universo.

Estar no centro é estar no nada, é ser imponderável, é não poder ser medido. Um ponto não tem dimensão, ou seja, não tem altura, não tem largura nem profundidade. Se estamos fora do centro passamos a ter distância e perdemos a imponderabilidade. 

No simbolo do Tao,o Tei-Gi, o único lugar que não é Yin nem Yang é o centro.

No Tao Te Ching, Livro do Caminho e da Virtude, escrito por Lao Tsé cerca de 600 anos A.C., constam os seguintes versos no Cap. 11 :

Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

Ao permanecer no vazio do Agora, somos úteis à nós mesmos, aos outros e ao Universo.

Estando fora do Agora, somos não-úteis.

Coloque-se no centro vivendo sempre o eterno Agora !

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O plano


O ano era de 1985. E quando o general Augusto Gimenez não esperava mais problemas além dos que enfrentava em seu âmbito político, chegava a notícia da gravidez de sua filha Carmen. Para o militar ela seria sempre sua garotinha, e por mais que a moça já passasse dos 22 anos, sempre fora tratada como uma criança. Uma criança mimada, que sempre abusava da boa vontade do pai para obter de tudo o que quisesse, não vendo limite para seus anseios. E para isso, Carmen sempre se mostrava a mais inocente e delicada filha que um pai poderia ter. Porém não fazia questão de esconder seu verdadeiro lado quando ele não estivesse presente.
Os empregados da casa a odiavam. Eram constantes as humilhações das mais diversas. Carmen sentia-se como uma princesa em seu castelo, guilhotinando diariamente seus vassalos para seu próprio divertimento. E seu pai era o próprio rei, que não possuía outra função senão a de ostentar a coroa até que chegasse sua vez de assumir o império. Mas os dias de realeza estavam prestes a acabar quando o general Augusto resolveu encaminhar sua santinha para um colégio interno de freiras.
Pela primeira vez Carmen despertou de seu mundo fantástico. Sua ira era tamanha que saiu perambulando pelas ruas esbravejando o ódio por seu pai. E numa desesperada tentativa vingativa, resolveu se envolver com o primeiro garoto idiota que aparecesse em seu caminho, apenas para provocar o general. E eis que Deus, Destino, Jeová, Pokemón, ou qualquer outro Ser mítico-sacana que se acredita governar nossas vidas atendeu literalmente aos pensamentos de Carmen, que naquele exato instante esbarrou em Leonardo.
Tão óbvio quanto Leonardo se encantar pela inocente e delicada filha de Augusto era o general manter com ainda mais firmeza a decisão de enviar Carmen a um convento. E a moça, que herdara os genes autoritários do pai, tinha ainda mais anseio em continuar com sua peculiar retaliação. E percebendo que Augusto não cederia a suas investidas, Carmen compreendeu que haveria apenas um motivo que a libertaria do monastério. Quando o general Augusto Gimenez não esperava mais problemas além dos que enfrentava em seu âmbito político, chegava a notícia da gravidez de sua filha Carmen.
Assim que descobriu, o militar exigiu que Leonardo se casasse com sua inocente menina. Na verdade, pensou em mandar matar o rapaz, mas não seria bom ver a filha criar sua neta sozinha. Marina, a filha do casal, chegou ao final daquele ano. Leonardo irradiava alegria e orgulho. Já Carmen não dividia o mesmo sentimento.
Porém o que aparentava enfim ser a solução de seus problemas apresentava-se como o início de outros piores. A nova família fora expulsa da casa do general Augusto. Para ele a confiança em Carmen, que naquele estágio já nem era mais considerada sua filha, fora definitivamente perdida, acabando com as mordomias com as quais a mulher contava. Além disso, o general dividia seu desprezo com seu genro. Apenas sua neta Marina escapava de sua aversão, pois acreditava que a menina não tinha culpa em nada.
A vingança é um prato que se come frio, e Carmen sabia exatamente o significado deste provérbio. Arquitetara meticulosamente o plano que resolveria sua vida para sempre. A princesa estava decidida a seqüestrar e torturar o rei. E para isso contava com o auxílio de seu primo Daniel, policial militar, o carrasco responsável por colocar a idéia em prática, e Leonardo, o bobo da corte que levaria a culpa pelo atentado. Evidentemente o marido de Carmen não fora informado do desfecho da ação, participando por imposição de sua esposa.
Na noite combinada, o grupo invadiu a casa do general enquanto ele dormia. Daniel desferiu uma pancada na cabeça do senhor com um cacetete. O desfalecido corpo do senhor foi movido até o porta-malas de um carro e levado até o local de seu cativeiro. Leonardo estava aflito. Sabia que aquilo não acabaria bem...


Carmen está disposta a coisas muito piores para conseguir colocar a mão na herança de seu sogro. Descubra do que ela é capaz de fazer em http://quemmatouantonio.blogspot.com/

Ao mundo dos sonhos - interlúdio IV

Procura-se

Após um longo tempo em sua rotina diabólica
Após ter perdido a noção de tempo e de realidade
Renato começou a notar que as noites na ilha desapareceram

Após o trabalho, entrava na casa da bruxa e dormia
Após o descanso ele sempre encontrava de novo a claridade
Renato começava a perceber que já não estava são

Após lhe dizer que as noites estavam lá, ele que não via
Após meras tentativas de não de dormir afim de comprovar a verdade
Renato começa a perceber o grande erro que foi atravessar a ferida de feixe

Após perceber que aquele rapaz já não rendia o mesmo que antes
Após cansar-se de suas lamentações, a bruxa decidiu lhe dizer com sinceridade
Renato começou, então, a entender que não mais veria Carolina ou sua tão querida cidade

.
.
.

Em uma certa manhã, tarde ou noite
Algo mudou na ilha
Um poste de luz se instalou magicamente na praia
E uma foto de um homem com a palavra "Procura-se"
Era John "Flanela" Whye
Renato coçou o queixo e imaginou já ter visto aquele rosto antes
Não lembrou e continuou a fazer seu trabalho

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ao mundo dos sonhos - interlúdio III

Mago


[Carolina]
Pelos céus, pare me seguir
Se tens algo a me dizer, essa é a hora
Estou cansada dessa perseguição
Fale o por quê disso tudo ou vá embora

[Mago]
Eu sou Mago, verdadeiro senhor dessas terras
Estou aqui para te ajudar.

[Carolina]
Veio para me ajudar a voltar para casa?

[Mago]
Receio que não tão cedo você poderá voltar

[Carolina]
Então não temos nada a conversar.

Carolina deu fim àquela discussão
Apesar de tudo, ainda estava com pressa
Mas o homem tinha uma carta na manga
Um argumento que a fez voltar a conversa

[Mago]
Ainda quer saber o que o homem-estrela ia dizer?
Bem, olhe para aquele mar
Estava vendo aquele ponto movendo-se rapidamente?
Lá está uma criatura chamada Gobbledigook que tem algo para te entregar
O homem-estrela, bem, era eu
Invadi seus sonhos, pois é importante a sua vinda para cá
Então agora lhe restam duas opções:
Ou continua a busca pífia pela mulher que lhe trará
Sofrimento e não a levará para casa
Ou encontra Gobbledigook e sua entrega,
acaba com seu lamento e sua árdua jornada

[Carolina]
Já me decidi,
Estou fatigada dessa história
Não vim para cá por vontade própria
Encontrarei Sydra e voltarei para casa