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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Rota 21 - Capítulo 7.

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro – 16hj e 25 min.



Branca organiza mais um desfile, chega uma modelo com um pacote de cocaína.
Levantam-se homens com terno, entre eles Aristóteles.
-Todos estão presos em flagrante, não saiam do local.
Colocam as algemas em Branca, ela sai do prédio e é fotografada, ela esconde o rosto e é colocada numa viatura.
Ela está numa sala e está com ela Pedro Archanjo.Ele pega um dos ternos que ela vende e rasga na frente dela para tirar cocaína de dentro deles.
-Você vendia esses ternos recheados com um quilo de cocaína. – bate na mesa.
-Você acha que não tem colegas seus comprando na mão do meu marido?
-Claro que sei. Detesto tipos como você.
-Quero um advogado.
-Onde está o seu marido?
-Acha que eu sei? Eu não estaria aqui se soubesse.
-Quanto tempo?
-Eu sei dos meus direitos.
-Que porra de direitos? De destruir vidas?
Ele olha nos olhos dela, ela olha friamente para ele.
-Quanto quer para que me solte? 1000? 2000? 5000? 10000? Todos têm um preço. Qual é o seu?
-O meu preço é quanto eu vou levar para vê-la apodrecer na cadeia.
-Idiota. –começa a rir - Acha mesmo que vou ficar aqui, tenho dinheiro. Dinheiro compra tudo, até caráter.
Ele se retira, a deixando sozinha.
Ela depois foi falar com o advogado.
-Ofereça dinheiro ao juiz, testemunhas, jurados. Ofereça quanto eles pedirem.
-Não é tão fácil quanto pensa. Você foi pega em flagrante.
-Como não é fácil. O habeas corpus?
-Foi negado, alegaram que você foi presa em flagrante e que se sair vai prejudicar as investigações ou até fugir.
-Se eu for condenada você não vai achar cocaína em canto nenhum desse país seu verme!
Paula se olha no espelho, está com os cabelos bem curto, mostrando a nuca, está igual a um rapaizinho.
-Há muito tempo que não me vejo de cabelos castanhos. Acho que desde a época do calçadão. – ela vira-se para Pierre.
Saem do banheiro, estão em Cachoeira, uma cidade da Bahia, se encontram num bar, Pierre pede uma cerveja e olham uns dois rapazes que estão num posto colocando gasolina no caminhão.
-Você já colocou os pacotes na carroceria do caminhão. Já sabe o que fazer?
-Ui, monsieur.
-Um se chama Cosme, o mais novo, e o outro Damião, o mais velho.
Cosme e Damião pegam a BR-324. Damião liga o rádio e começa a cantar a música. Cosme beija a medalinha de Santa Bárbara. Começa a anoitecer, Damião ainda dirige, enquanto Cosme dorme.
Damião avista uma moça alta de cabelo castanho escuros, bem curto, mostrando a nuca. Pára, Cosme acorda e abre a porta.
-Obrigada.
Ela entra e senta-se.
-Vai para onde moça?
-Feira de Santana.
-Vamos passar por lá. Antes vamos pra Mata de São João entregar uma carga.
-Que bom.
Anoitece, eles chegam a um galpão para entregar a carga.
-Aqui o dinheiro.
-Obrigado.
Ela ver tudo pelo retrovisor.
Eles voltam ao caminhão.
-Quantas cargas vocês entregam por mês?
-Tem mês que chegam a umas vinte, esse Brasil pára sem nós. –responde Damião.
-Deixa que eu dirijo Damião.
-Já é tarde, vamos ver se encontramos um hotel de estrada.
No hotel.
-Dois quartos.
-Não, eu posso dormir com vocês.
-Então um.
-É bom que economiza. –Cosme rir.
Entram no quarto.
-Você pode ficar com a cama.
Ela coloca a mochila no chão, vai ao banheiro e lava o rosto e deita. Cosme e Damião deitam no chão.
Algumas horas depois.
-Cosme.
-O que foi?
-Venha pra cá. – ela tira a blusa.
Ele vai para a cama, tira a camisa, a beija. Ela pega no sexo dele.
Ele tira a calça dela, ela lambe a orelha dele e encrava as unhas dela nas costas dele.
Damião acorda e ver tudo deitado no chão. Ele ver o suor deles, ela com a boca aberta e a cabeça inclinada para trás com o sorriso do prazer do ato.
Depois de alguns minutos, Cosme fica deitado em cima dela, vira-se e dorme. Ela levanta, vai ao banheiro, lava o rosto, ela nota o celular dela vibrando, ela atende.
-Alô... Sim, já estou com eles... Não desconfiaram de nada.
Cosme acorda, se levanta e vai ao banheiro e ver a moça caída no banheiro, ao lado dela um pote aberto com alguns comprimidos fora.
-Meu Deus. Damião! Damião.
-O que foi cara? - Damião se aproxima depois se abaixa, para ver se ela está respirando. –Está morta.
-Cara nos ferramos, ela morreu no quarto da gente.
-Desgraçada. O que vamos fazer?
-Informar ao hotel ou fugimos e deixamos o corpo aí.
Ela começa a rir.
-Como vocês são hilários. Não vão me ajudar a levantar?
Cosme a levanta.
-Você é maluca garota? Quer ferrar com a gente? – Damião.
-Eu queria animar um pouco a vida de vocês. – ela sorrir.
Damião se retira.
-Se arrume, temos que partir.
-Antes quero tomar um banho. Vocês esperam?
-Sim. – se retira.
Damião já está do lado de fora do hotel.
-Ela está tomando banho.
-Já notou que nem o nome dela sabemos? Muito menos a vida dela. Só sabemos que ela quer ir para Feira de Santana. Quem sabe fazer o quê?Ela pode ser uma fugitiva, ou até mesmo uma maluca andando a solta por aí.
-Você quer o quê? Que a deixemos aí sozinha no hotel.
-Me esquece Cosme. – se retira.
Damião sobe, escuta o som do chuveiro aberto. A ver nua, tinha um corpo bonito, ela o vê.
-Desculpa.
-Que nada. Pode olhar a vontade, vem.
Damião entra no banheiro, a beija, ele embaixo do chuveiro com roupa e tudo, tira a camisa, ela grita de prazer, enquanto ele geme. Ele beija os seios dela.
Eles descem depois, Cosme está verificando a carga.
-Eu não gosto de transar com alguém que não sei ao menos o nome.
-Manu... Manuela.
-Finalmente um nome. – rir.
-E vocês se conhecem há muito tempo?
-Vixe muito! Desde meninotes, aprontávamos um bocado, andávamos na Barra entre os gringos. Nós é feito irmão.
-Vamos, quero sair ainda hoje de Mata de São João. – Cosme.
Eles partem, Cosme nem nota que Damião trocou de roupa.
Vida de caminhoneiro é difícil, pistas esburacadas, ficar longe da família dias, se arriscar nos caminhos que são maioria só mato, mas também conhece muita gente.
Depois de alguns quilômetros encontram um engarrafamento.
-O que houve? – pergunta ela.
-Vamos ver. – Damião sai e logo depois Cosme. – O que houve?
-Acidente, caiu até carga na pista, parece que tem morto.
-Isso porque muitos trabalham exaustos por dirigir muitas horas para aumentar a miséria que ganhamos.
-Vamos rangar aqui na pista mesmo, parece que vai demorar em liberar. –propõe Cosme.
Eles almoçam. E depois de duas horas a pista é liberada, Damião ver uma casa lotérica.
-Pare, vou fazer uma fezinha.
-Você com a mania de jogar dinheiro fora.
-Só tem duas formas de enricar nesse mundo, pela sorte ou roubando, ainda prefiro a primeira. – desce.
Ao anoitecer, Damião acorda e nota que o caminhão está parado, ver as horas, 02h00min da madrugada. Não estão nem Manuela, nem Cosme no caminhão. Ele olha pelo retrovisor eles transando no lado da carroceria, ele teve raiva de Manuela, ela era uma vagabunda.
André Luís chega no seu prédio e é preso, ele está numa sala, entra Pedro Archanjo.
-Sabe por que está aqui?
-Onde está o meu advogado?
Pedro coloca um pacote em cima da mesa, abre, estava cheio de cocaína.
-Sabe o que é isso? Diz! Sabe quantos morrem para você cheirar essa porcaria viciadinho de merda?
André começa a chorar.
-Porra você não está ajudando. Você fez uma viagem para os Estados Unidos para colocar cocaína dentro de umas meninas. Não é verdade?
-Eu fui obrigado.
Pedro rir.
-Colocaram uma arma em você? O que mais? Você fez isso para ganhar um pacote de cocaína! – joga o pacote no rosto dele.
-Merda você está me condenando. Eu sou um brasileiro, tenho o direito ao menos de ser ouvido!
-Finalmente falou. Sabe o que você é? Um idiota cheirador de cocaína, fraco. Eu tenho raiva de pessoas como você que com certeza amanhã vai estar solto, porque vai contratar um bom advogado, enquanto quem te vende, um pobre filho da puta vai apodrecer na cadeia. – fala isso no ouvido dele.
Retira-se, André começa a chorar, no dia seguinte já estava solto.
Robson está dormindo numa escadaria de uma igreja, chega uma senhora e coloca dinheiro ao lado dele.
Ele acorda e vê a nota de dez reais, se levanta, vê uma padaria e do outro lado um rapaz vendendo crack.
Ele vai até o rapaz e entrega os dez reais em troca da droga.
Rafael vai falar com Aristóteles, está na igreja.
-Vou pedir que dois homens façam a sua segurança, você corre risco de morte.
-Prenderam Sérgio?
-Parece que fugiu.
-Vou responder o julgamento em liberdade.
-Sua pena vai ser abatida, você se entregou e denunciou o plano.
Rafael foi depois ver a filha no hospital, ela estava dormindo, já se encontrava careca, por causa da quimioterapia. Ele faz carinho na filha e começa a chorar.
Robson está na locadora com um boné, entram dois homens, ele abaixa a cabeça, este disfarça olhando uns filmes.
Os homens saem, ele sai da locadora, os homens o reconhecem e Robson rouba um skate de um menino que vinha passando e foge.
O navio onde está Renato chega em Milão, pára num porto, mostra os documentos da carga e é liberado.
Os homens tiram as caixas.
Numa festa toca uma banda e Renato bebe um drink. Os seus colegas entram na multidão e passam as cartelas.
Numa casa antiga, uns homens atendem o telefone.
-Aonde mora? Quantas cartelas?
Renato coloca as cartelas em uma caixa e manda para o correio.
Depois passeia pela Praça Duono, pombos voam, ele tira o óculos e entrega a cartela a um homem e é fotografado.
Pedro Archanjo está arrumando as coisas para ir para casa. Aristóteles vai chamar um colega de trabalho, mas esquece o nome desse.
Archanjo observa.
-Aristóteles por que desistiu de chamar o Moreira?
-É por que me lembrei o que queria.
-Mas o nome dele não é Moreira. Você anda muito esquecido esses dias. Precisa de férias. Tem ido ao médico?
-Tenho medo do que ele pode dizer, minha mãe teve Alzheimer. Janta essa noite lá em casa? – bate amigavelmente no ombro de Archanjo e se retira.
Pedro Archanjo aparece no jantar.
-Boa noite. Que bom que você veio.
Archanjo entra.
-Oi Pedro. Como está? – pergunta a esposa de Aristóteles.
-Bem, dona Heloísa.
Sentam-se para jantar.
-Já se casou?
-Não.
-Ainda é jovem. O que tem contra o casamento?
-Ele só vive para o trabalho querida. Onde eu coloquei o celular?
-Está no seu bolso querido, você colocou aí não tem nem muito tempo.
-Que cabeça a minha. Vou ao banheiro. – se retira.
-Dona Heloísa o seu marido está tendo relapsos de memória já notou?
-Sim, já fiz até uma agenda para ele se lembrar de certas coisas que ele tem que fazer certas horas. Que hora ele tem que ir para casa, o telefone daqui, o endereço, o horário dos seus remédios, o horário de pegar o neto na escola. Ele esqueceu até o nosso aniversário de casamento.
-E a senhora acha normal isso?
-Claro que não. A mãe dele teve Alzheimer, se tornou uma criança, andava com dificuldade, falava coisa sem nexo, precisava de ajuda para ir ao banheiro e tomar banho, ele cuidou dela até a morte. Ele tem medo de ficar assim.
-Mas quanto mais rápido ele se tratar vai evitar seqüelas maiores.
Aristóteles volta à mesa.
-Achei um vinho.
Depois Pedro olha umas fotos e Aristóteles aparece.
-Quem são esses no porta-retrato?
-O meu primo João, Elder, Saulo, meu cunhado e...
-Não se lembra quem é esse?
-Por que me tortura desse jeito?
-Você está doente.
Aristóteles começa a chorar.
-Eu lhe acompanho ao médico.
-Você não entende. Eu vou ser afastado se descobrirem que tenho Alzheimer...
-Mais cedo ou tarde você vai terminar sendo afastado. Alzheimer é uma doença que debilita a pessoa.
-Eu tenho medo, mas eu vou.
Foram no dia seguinte ao médico.
-Que dia é hoje? – pergunta o médico.
-Segunda era o vencimento da luz. Terça, não Quarta.
-Quinta-feira.
-Quantos anos têm?
-61.
-Tem histórico na família?
-Minha mãe teve Alzheimer.
-Tem diabetes? Doenças neurológicas? Depressão?
-Não.
-Usa alguma medicação?
-Eu tenho hipertensão.
-Enfrenta dificuldades com a perda de memória?
-Sim.
-Você se lembra ainda de fatos que ocorreu na sua infância?
-Sim, só perco lembranças atuais.
-Você tem alterações bruscas de humor, distúrbios na personalidade?
-Às vezes.
-Com que freqüência ocorre às perdas de memória?
-Estão se tornando freqüente.
-Tem dificuldades em se vestir, em socializar-se, de fazer coisas que você costumava fazer antes?
-Não.
-Tem alterações no reflexo, rigidez na musculatura?
-Não.
-Já se perdeu alguma vez na rua, principalmente caminhos que você costuma fazer?
-Sim.
-Vou passar um hemograma completo. O senhor está no estágio inicial da doença, o que é bom, Alzheimer não tem cura, podemos retardar os estágios, que são três, a doença te leva a um estado de debilidade. Os próximos sintomas são: perda na fala, esquecimento de certas palavras, e dificuldades sensórias e motoras, tremores. Só temos que saber quanto tempo você está já no estágio inicial que é de dois a quatro anos.
Eles saem da clinica.
-Obrigado.
-Você que merece parabéns por tomar a iniciativa.
Voltam ao trabalho, Aristóteles vai tomar um café.
-Você não sabe o que eu soube?
-O quê?
-André Luís foi encontrado morto em seu apartamento, teve uma parada cardíaca.

2 comentários:

  1. Nossa, o final ficou muito bom.
    Só achei a história cumprida demais, mas valeu a pena!
    Abraço.

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  2. Parabéns pelo talento! Ja pensou em fazer curta-metragem?
    Abraço!

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