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quarta-feira, 20 de maio de 2009

CONDOMINIO BABILONIA - 1° CAPITULO - 1° TEMPORADA


Aquela era uma tarde fria de quarta-feira na região paulistana, uma cidade maravilhosa de pessoas maravilhosas. Uma cidade que reunia pessoas de todas as partes do mundo, ali cada um tinha sua identidade própria e se se destacava no meio da multidão.
São Paulo estava muito mudado, muitos condomínios haviam sido criados, desde o simples até o mais caro. Condomínios residências, e condomínios com apartamentos. Um dos condomínios mais falados da cidade era o Condomínio Babilônia que ficava no bairro do Morumbi. Ali viviam pessoas da classe média, e da classe média alta, as casas eram belas, entoavam um clima clean, um padrão de casas brancas com detalhes azuis, e o telhado de marfim, era o sonho de todo paulistano conseguir uma casa ali. Havia uma pessoa que fugia da regra, era Elizabeth Williams, uma mulher de aparência bela, cabelos loiros, olhos azuis, alta, filha de pai alemão e mãe inglesa, uma mulher de 35 anos, bem sucedida na área de advocacia, e tinha dois filhos com o empresário Alberto Jones, era uma típica família feliz; Elizabeth estava sentada no quintal em uma velha cadeira de balanço que ganhara de sua falecida avô, ela não ligava para o tempo frio, estava pálida como a neve e estava sentada como uma conchinha na cadeira e seus olhos estavam voltados para o canteiro de orquídeas.
Enquanto isso dentro de casa, Alberto estava sentado em um banquinho na cozinha, lia o jornal do dia e ouvia um antigo disco de Diana Krall, a música estava tão alta que tomava conta da casa, parecia que ele estava ignorando o fato de Elizabeth estar do lado de fora com o frio que fazia naquela tarde.
Na casa ao lado esquerdo da família Williams, morava uma velha senhora, Dona Marina, uma mulher de 58 anos, aparência doce gentil, cabelos brancos como a neve e óculos cor de rosa, ela estava na janela da cozinha espiando Elizabeth. Ela não entendia o que Elizabeth fazia do lado de fora de casa naquele tempo frio e feio, e como de costume essa hora Elizabeth estaria começando a preparar o jantar e as crianças estariam chegando do colégio; naquele instante ela percebeu que a rotina da casa mudou aquele dia. Marina tinha esse hábito feio de ficar espionando a casa dos vizinhos, sempre que podia dava uma espiada na casa da família Williams e na casa de Fernanda Pires que morava ao seu lado esquerdo, seu marido Orfeu também acompanhava Marina nessas espiadas ‘’básicas’’. Marina parou de espiar um instante para pegar a manteiga na geladeira, de repente ela ouve um grito de Orfeu:
-Marina, venha rápido!!!
Desesperada ela sobe as escadas correndo em um pique descomunal, e corre para o banheiro onde o Orfeu estava a gritar. Chegando lá encontra Orfeu em cima do vaso sanitário e dizendo indignado:
-Olhe Marina, Fernanda já mudou de namorado outra vez, e eles já estão indo para a cama!!!Que poça vergonha esse mundo esta perdido.
-É mesmo meu velho. Diz Marina com um leve sorriso sem graça.
No Relógio marcava 6:50 da tarde,e Elizabeth continuava ali sentada, mas já não estava mais olhando para o canteiro de orquídeas, ela havia caído no sono. Alberto já não se encontrava mais em casa, havia saído fazia 12 minutos. Naquele instante indignada, Marina saiu de sua casa e ira em direção a vizinha Elizabeth, notou que a porta estava entreaberta e já foi entrando em direção ao quintal, chegando à frente de Elizabeth, Marina a balançou levemente, Elizabeth assustada deu um pulo da cadeira caindo para trás com a cadeira. Marina desesperada ajuda a amiga a se levantar rapidamente e a leva para dentro da casa.
Enquanto isso há duas casas ali do lado, Fernanda estava no quarto com um rapaz jovem musculoso; Fernanda era uma mulher de 40 anos que não gostava de parar no tempo, vivia como uma adolescente, todo mês ou toda semana estava com um namorado novo, e não pense que ela gostava de homens de 30,40 anos, só gostava de rapazes mais novos na faixa de 20,25 anos, era uma mulher linda, cabelos ruivos, olhos castanhos e o rosto liso como seda. O jovem rapaz que a acompanhava era um garoto de programa que Fernanda havia contratado naquela noite,ela não estava muito bem, havia chegado de uma balada com ele,e estava meia bêbeda, o rapaz a segurava.
Na casa ao lado,Orfeu reparava tudo da janela do banheiro,quando de repente o rapaz começou a agredir Fernanda,Orfeu tomou um susto que quase caiu de cima do vaso,e começou a gritar o nome de Marina várias vezes,depois de 5 minutos o rapaz para de bater nela e rouba tudo o que vê pela frente,jóias,dinheiro,bolsa,cartões entre outros pertences.Perplexo com aquilo, Orfeu desce em um pulo e sai correndo para fora, desce as escadas como um cometa e sai para o lado de fora da casa,assim que ele bota os pés para fora da de cara com o jovem assaltante,Orfeu para por um instante e age sem pensar, metendo um murro na cara do jovem,que rebate com um soco mais forte dizendo:
-Não se meta nisso,ou farei pior!
Orfeu cai no chão. E o jovem rouba o carro de Fernanda, saindo em disparada.
Na casa de Elizabeth tudo estava calmo, Marina conversava com a amiga dentro da casa, tentando entender porque Elizabeth estava tão estranha naquele dia,e porque Alberto não se encontrava em casa.Elizabeth nada falava, ficava quieta coçando os braços como se estivesse com frio e seu olhar não estava muito seguro,a única palavra que ela havia dito foi - muito obrigada – depois disso não havia dado nenhuma palavra.
Do lado de fora na rua,a moradora da casa da frente Juliana e seu marido Marcelo gritavam desesperados por socorro, Marina como de costume correu para a janela da casa de Elizabeth para verificar o que estava se passando lá fora,quando Marina chega próxima da janela e coloca os olhos disfarçadamente,vê seu marido caído no chão.Marina sem pensar duas vezes corre para o lado de fora desesperada, aos prantos e berros perguntava o que estava acontecendo, ela na entendia nada, por 15 minutos que seu marido ficara sozinho aquilo havia acontecido, ela se culpava e falava:
-Meu Deus!!!Porque fui te deixar sozinho em casa meu velho!!!Quem fez isso com você!!!Meu Deus!!!Ajude-me!!!
2 minutos depois, a ambulância chega, Marina vai junto com Orfeu para o hospital. Notando que a porta da casa de Fernanda estava entreaberta os para médicos vão verificar se aquilo tinha a ver com o caso do senhor tem apanhado, chegando lá em cima se deparam com Fernanda caída na cama e sangrando, eles a levam junto com Orfeu para o hospital.
Elizabeth ao ouvir os gritos de desespero de Marina, criou coragem e levantou-se indo direto para a o lado da casa, com uma cara meia de perdida, pergunta o que havia acontecido para Juliana e Marcelo, mas eles nada sabiam explicar, afinal haviam chegado há pouco tempo. Elizabeth queria ter ido com a amiga Marina junto para o hospital, mas Alberto havia saído horas atrás com o carro. Marina sempre ajudou Elizabeth em momentos difíceis, acompanhou ela no funeral de sues avôs, e de seus pais, sempre estava ao lado dela, tanto nos momentos piores como nos momentos bons.
A noite caia, já passava das 9 horas da noite. Elizabeth havia tomado um banho de banheira pra relaxar, afinal, depois de um dia turbulento como aquele só um banho para aliviar o stress. Alberto ainda não havia chegado, e nem tinha dado telefonemas, Elizabeth se preocupava cada vez mais, de repente o telefone do quarto toca, assim que ela atende diz logo: - Alberto!...Mas não era ele, era Marina dando noticias de da saúde de Orfeu.
-Os médicos disseram que ele esta bem, o que havia acontecido para ele ter ficado desacordado daquele jeito provavelmente foi a queda, e acabou tendo leves machucados!!! E Fernanda esta internada aqui no mesmo hospital, só que ela está pior os médicos disseram que ela teve ferimentos na coluna, como se tivesse levado um murro. Dizia Marina em um tom baixo de voz.
Elizabeth sem pensar muito, só desejou melhoras aos dois, e um grande beijo para Marina. Assim que ela desliga o telefone vê na janela Alberto chegando de carro, ele trazia um pacote nas mãos, Elizabeth desce rapidamente para a sala. Chegando ao meio da escada, ela para e cruza os braços, com uma voz seca e rouca perguntando:
-Onde o senhor estava? E que caixa é essa na sua mão? Você esta escondendo algo de mim Alberto?
Alberto olha para Elizabeth com uma cara fria. Dez segundos de silêncio... e ele diz:
-Nada disso te interressa Beth, não se intrometa nos meus assuntos!!!
Elizabeth pasma! Nunca havia ouvido o marido falar assim com ela antes, afinal eles quase não brigavam, quando os dois brigavam eram por motivos bestas, como música, esporte, comida... Aquilo deixou Elizabeth irritada, e na hora mandou Alberto retirar-se da casa. Alberto tentou contestar, alegando que ela estava alterada, mas de nada adiantou, Alberto saia sem mais argumentar; a casa por justiça era de Elizabeth que havia ganhado de seus pais em 2.015 no seu casamento, depois eles faleceram em 2.018.
O silêncio tomou conta da sala, bem devagar Elizabeth abaixava-se para sentar no degrau da escada, começando a chorar silenciosamente, para ela a fantasia que ela vivia há 5 anos parecia que estava acabando como um encanto.

Um comentário:

  1. Sensível, tocante e irônico. Seu texto é muito bom. Cabe aí a mente de um brilhante escriba que detalha sensações e sentimentos muito bem delineadas de seus personagens. Se interessar em fazer parte da nova antologias do projeto de inclusão literária "Nova COletânea", faça contato.

    Bruno Resende Ramos
    Projeto de Inclusão Literária
    Nova Coletânea
    http://www.novacoletanea.blogspot.com

    e-mail: brunoteenager@gmail.com

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