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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O mestre -Capítulo 1.

18 anos atrás.


Um rapaz de cabelos castanhos, franzino, branco, alto e de óculos e barba, se encontra num hospital, ver as pessoas sentadas em macas no corredor e outras no chão suplicando por ajuda, pessoas chorando, pessoas indignadas com situação vivente, pessoas indiferentes ao outro.
Ele desejou nunca precisar de um hospital público, quantos morrem sem ser socorridos.Chega um paciente com ferimento a bala e sai mais um óbito embalado num plástico.
Era uma imagem que não dá para tirar da cabeça, um caleidoscópio de vidas.Quantos morrerão para se dar um jeito na saúde pública? Felizes os que tem saúde de ferro.
-Ana Tornório se encontra?
-Não. - a recepcionista fala lixando as unhas.
-Amor.
Aparece uma linda mulher branca, alta, de cabelos castanhos encaracolados até os ombros.
-Obrigada Elisa.
Se beijam.
-Vamos a um lugar reservado.
-A lanchonete.
Se dirigem a lanchonete
-Fala o que você veio fazer aqui.
-Sabe a viagem a Trancoso...
-Sim.
-Não vai dá, é muito caro, não vamos passar a lua- de - mel em Trancoso.
-Está bem.
-Jura que não vai ficar sentida em não poder ir a Trancoso?
-Juro. Mas não entendo, você estava economizando dinheiro para a viagem.
-Eu fui demitido..., o sacana do meu chefe me demitiu, eu ganhava uma mixaria naquela droga, contensão de despesas, eles cada vez mais ricos e nós cada vez mais pobres. O dinheiro que economizei é para pagar o aluguel da nossa casa, já que não sei quando vou encontrar emprego.
-Ta, mas eu sou enfermeira e não ganho tão mal assim, eu posso ajudar.
-Não, eu pago o vestido e a aliança, eu faço questão.
-Que machismo idiota Pedro.
-Será que eu não posso querer pagar o vestido da minha futura esposa?
-Ta, está bem. E a sua roupa?
-O meu irmão vai emprestar o terno dele.
-O seu irmão já foi casado?
-Já, mas a história é complicada, ela o traiu.
-Ah! Vamos pra minha casa, tô com saudade. - ela alisa o rosto dele.
-Adoraria ir, mas tenho que sacar a aposentadoria da minha mãe.
Ele saiu e pegou um ônibus, ele detestava ônibus, pois sempre o encontrava cheio e todos achavam que por ele ser magro não ocupava espaço e o apertava , isso quando não vinha uma gorda passava entre os passageiros dizendo a maldita frase:" Lincencinha, desculpa."
E quando encontrava banco vazio ele tinha que oferecer o banco para um idoso, gestante ou uma criança. Por isso ele decidiu ficar em pé mesmo que o ônibus estivesse vazio.
Ele ver pela janela o irmão como homem sanduíche. Que porcaria de vida, ele odiava a vida pobre que ele tinha, ainda desempregado.
Ele não acreditava que na Suíça as pessoas se suicidavam por ter tudo e não ter por batalhar por nada. Ele gostaria de nascer na Suíça, com certeza essas pessoas se arrependeriam do que fizeram se nascessem no Brasil.
Ele saltou e começou a chover, ele foi ao caixa e a fila estava enorme, ele detestava filas.
Pegou o dinheiro e foi assaltado, levaram o dinheiro todo, ele agora participava das estatísticas de Salvador. Como ele vai chegar em casa e dizer a mãe que perdeu tudo, era o que ele pensava agora.
Ele ao chegar em casa encontra o irmão dormindo na mesa ao lado de uma pilha de livros, o coitado se esforçava tanto para ter um curso superior.
Ele vai no quarto da mãe e a encontra caída no chão.
-Mãe! -chorando -Paulo, socorro!
Ele voltou ao hospital e reviu aquilo tudo que ele desejou esquecer, para ele esse dia tinha sido o pior dia da sua vida. Ele ver o irmão dormindo no banco, ninguém aparecia para dá uma notícia e a mãe sentada num banco com um anabolizado.
Depois de três horas ele foi falar com o médico.
-Minha mãe vai morrer doutor?
-Ela está na UTI, ela fumou por muitos anos, o pulmão está comprometido, farei tudo que for possível.
-Posso vê-la?
-Não, só amanhã.
-Salve minha mãe doutor.
Ele desejou que fosse rico, porque se fosse rico sua mãe não estaria passando por isso, teria condições de dá uma saúde melhor para a mãe.
No dia seguinte ao chegar ao hospital é informado do falecimento da mãe.
Passa algumas semanas e ocorre o casamento de Ana e Pedro, uma celebração simples, de acordo com a condição social e econômica deles.

Um comentário:

  1. A história é muito real.
    Como em dia na vida dele aconteceu de tudo um pouco.

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