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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A mulher do desembargador.

A história que vou lhes contar se passou exatamente em 1956, tinha eu 15 anos de idade. Naquele ano exatamente tinha acabado de se mudar um senhor gordo, baixo, barbudo, com uma careca, com uma cabeça enorme, e os poucos cabelos que lhe sobravam eram brancos, e era desembargador! E sua esposa, uma senhora alta, de cabelos e olhos castanhos, de nariz arrebitado, de aparência jovem, bonita, aliás muito bonita, não parecia ser feliz, aparentava ser uma mulher submissa, dedicada, atenciosa ao marido, mas dava para ver em seus olhos que era mal amada, mal amada.
Estava andando de bicicleta quando a vi pela primeira vez, meu coração palpitou, tive a sensação de ter sido engolido pelo chão, não via mais ninguém, a não ser ela e a aberração do seu marido. Não ouvia o que meus amigos falavam, mas depois acordei, quando eles entraram na casa, seguido pela voz do meu amigo Felipe.
-Você não acha Pedro que ela tem um belo par de seios?
-Respeite, ela é uma senhora casada.
-Muito linda para estar casada com aquela coisa.
-Ela deve amar muito seu marido. – Falou Cláudio, outro amigo meu.
-É deve amar muito seu marido. –Falei desconsolado.
-Vamos para a República do Lar. –Fala Felipe para irmos até um orfanato.
-Eu não vou, tenho que voltar para casa.
-O que tem para você fazer lá? –Pergunta outro dos meus amigos, Renato.
-Tenho que ajudar o meu tio na barbearia.
-Então até, vamos. - E se vão depois de Felipe falar.
São Paulo esta cidade que abriga tantas pessoas, entre elas uma senhora que não é feliz, apesar de ser muito dedicada, submissa, atenciosa ao marido, ela não era feliz, isso martelou na minha cabeça até a minha chegada em casa.
-Boa tarde.
-Só sabe agora ficar na rua, parecendo que não tem família. –Era a minha mãe falando, jovem, mas aparentava ser velha, do que adianta ser jovem, se aparentava ser velha, jovem, porém velha na aparência.
-Desculpa, estava com uns amigos.
-Vai suba, tome um banho, que vou colocar a mesa.
O nome dela, Augusta, ela só tinha eu e minha irmã, Maria Bárbara, de apena 6 anos, eu tinha um pai, desempregado, Eduardo, que por causa da vergonha que ele sentia em não poder sustentar a família com o seu trabalho, afoga a humilhação no álcool.
É triste admitir que seu pai seja um alcoólatra.
Subi para o meu quarto, abrir a janela e peguei um binóculo, a casa do desembargador ficava de frente para a minha.
E comecei a observar, ela tirou o sapato dele e colocou os pés dele na bacia com água, depois ela se levantou e tirou o paletó dele, folgou a gravata e desabotôo a camisa dele e depois levou uma bandeja para ele, e ele bebeu o líquido que estava no copo, este depois se levantou e entrou em outro cômodo da casa. Ela subiu as escadas e foi para um quarto e começou a desabotoar a blusa, abaixa a saia, e tirou a parte de cima da roupa intima, e vi as costas dela, que eram lindas, ela foi até o guarda-roupa, e tirou um roupão, se vestiu, tirou as duas presilhas do cabelo e foi até a janela e fechou a cortina.
Tive inveja do desembargador, ele tinha uma bela mulher em sua cama todas as noites. Mas ela não tinha um belo homem em sua cama.
No final da tarde fui até a barbearia do meu tio Almir. Eu estava fazendo a barba de um guarda, o senhor Marcos Ventura, mas todos o chamavam de o guarda Ventura, era um senhor alto, de cabelos castanhos e tinha barba, claro, e um par de olhos azuis, estava conversando com um senhor de cabelos brancos.
-Viu a senhora que acabou de chegar, não é muito bela?- Pergunta o guarda Ventura.
-É casada com desembargador.
-Aquele homem gordo!
-Isso mesmo!
-Deixa pelo menos ela ver os meus olhos, vai ficar doidinha por mim. Ai tu arrancou a minha pele infeliz!
-Desculpa.
-Deixa que eu continuo Pedro. – Tio Almir.
-É nisso que dar deixar frangos fazerem serviços de homem.
Eu me retirei depois de ter ferido o guarda Ventura com a navalha. Depois o meu tio foi falar comigo.
-O que deu em você?
-Eu não percebi.
-Quase cortava o rosto do guarda Ventura.
-Não cortou?
-Não, felizmente.
-Que bom...
-Vai, aqui seu dinheiro.
-Tchau tio Almir.
Cheguei em casa.
-Aqui o dinheiro mãe.
-O seu pai até agora não colocou os pés dentro de casa, deve estar bebendo.
-Maria Bárbara já estar dormindo?
-Já, vai deitar filho.
Fui para o meu quarto, peguei o binóculo, o desembargador estava na cama, ocupando ela toda com a sua gordura. Ela apareceu com os cabelos soltos e com uma camisola branca, deitou-se ao lado dele e a luz foi apagada.
Me deitei, mas não dormir, o meu pai tinha chegado bêbado em casa e tinha batido na minha mãe. Eu me perguntei a noite toda porque ela não reagia, aceitava apanhar de papai.

3 comentários:

  1. nao terminou ainda nao né?
    volto para ler o final e os outros.
    tome cuidado com os erros ortográficos, tbm escrevo e meus leitores nunca deixam de apontar um errinho aqui e outro alí.
    parabens, tbm escrevo, da uma passada no meu blog.
    http://brunocontosdeterror.blogspot.com/
    contos de terror

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