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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Vinícius


O único filho de Raquel sempre sofreu com os problemas psicológicos da mãe. Não podia ficar na rua por muito tempo, não podia sair à noite, não podia jogar bola no campinho da esquina, e não podia mais um monte de coisas terminantemente proibidas por ela. Desde sempre criado dessa maneira, Vinicius já havia se acostumado com a superproteção de Raquel, não somente entendendo sua situação, mas também criando meios de fazer o que quisesse sem que ela descobrisse. Mesmo assim, sua rotina resumia-se da escola pra casa, da casa pra escola. E isso explica os poucos amigos e a falta de popularidade com as garotas.
O franzino jovem de 17 anos cursava o último ano do segundo grau. E além de sua condição física raquítica, acreditava que a vergonha, a falta de jeito na hora da paquera, o mau-hálito matinal, o modo desengonçado de andar, as roupas antigas que sempre usava, as espinhas no rosto, seu um metro e sessenta e seis e meio e sua total falta de personalidade e estilo era o que o impedia de conquistar as meninas que queria. E estava certo.
De vez em quando aparecia uma menina ou outra por quem Vinícius se interessava. Porém, muitas vezes, esse interesse não era recíproco. E quando chegava a ficar com alguma garota, nunca levava o lance à diante. Para ele, não havia nenhum sentido em ficar por ficar. Preferia mil vezes um namoro sério, apesar de nunca ter tido um relacionamento desses, a alguma coisa momentânea e desinteressante.
Até então a questão "sexo" estava muito bem resolvida em sua cabeça. Não superestimava este momento como muitos outros de sua idade, e portanto iria esperar a coisa acontecer casualmente, sem nenhuma preocupação de adiantar o fato [...]
Há alguns dias não conseguia dormir. Passava horas pensando em sua breve vida, principalmente na que não vivera. Vinícius possuía uma especial tendência filosófica, criando a todo o momento teorias das mais diversas. A última que dominava seus pensamentos era justamente a respeito de sua existência. Tinha como certo de que estava a um nível superior das demais pessoas justamente por ter consciência de que estava a um nível superior. Tinha suas próprias conjecturas a respeito do amor, do trabalho, do dinheiro e da felicidade. E apesar de nunca ter amado, trabalho, tido dinheiro ou ser plenamente feliz, acreditava que seus pensamentos revolucionariam a humanidade, justamente por sua abdicação a tais coisas, pois para ele somente uma pessoa a um nível superior seria capaz de existir sem estes itens essenciais à vida [...]
Por volta das onze horas se dirigiu até sua casa. Passou pela rua da residência do avô. Ficou olhando para a mansão com certa curiosidade, tentando imaginar como seria o ambiente internamente. Chegou a ver o movimento de sombras pela janela, talvez Antônio. Vinícius não guardava rancor de seu avô, não tanto quanto sua mãe. Tentava a todo custo eliminar este sentimento de repulsa, impróprio de pessoas a um nível superior das demais.
Poucos metros dali avistou um carro semelhante ao de seu pai, Carlos, parado a algumas quadras de distância. Olhando mais atentamente, percebeu que realmente tratava-se do carro de seu pai. Porém antes mesmo de acelerar seus passos para ir a seu encontro viu que ele estava acompanhado e deteve-se. Saiu do carro uma linda jovem de cabelos negros e com maquiagem carregada, roupas curtas e provocativas. Parecia uma prostituta. Parecia ser conhecida. Parecia ser sua amiga Aline.

Descubra qual a relação entre Carlos e Aline e como Vinícius tornou-se um dos principais suspeitos no assassinato do avô em http://quemmatouantonio.blogspot.com/

2 comentários:

  1. Que coisa de filme de terror...heheheheheh



    Visita ae qq hora:
    http://catalepsiaprodutiva.blogspot.com/

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  2. Vinicius sofreu um pouquinho hein?!
    Texto muito bom e com aquela coisa meio desesperadora. Curti mesmo.
    T+.
    www.sarau2eteres.blogspot.com

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